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Comparativo entre o gato Maine Coon e o Norueguês da Floresta
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Há uma ligação comum entre o gato Norueguês da Floresta e o gato Maine Coon: ambos evoluíram de gatos domesticados que viveram em climas muito frios. Apesar das semelhanças, há diferentes visíveis. Vamos fazer um comparativo entre eles?


Personalidade


Ambos são inteligentes e afetuosos, porém o Norueguês exige mais a atenção do dono. O Maine Coon é bastante companheiro, está sempre presente em ambientes da casa em que há pessoas conversando, busca interação, mas é mais reservado no sentido de ter horários e momentos pré-determinados em que procuram colo ou contato físico. O Norwegian Forest já não vê horários para estar ao colo e estreitar relações, é mais introspectivo e menos reservado neste sentido.


Aparência


Os Maine Coons, na aparência, são mais retangulares e têm aparência feral, enquanto os Wegies possuem formas mais longilíneas e expressão mais suave. A textura da pelagem difere, o manto exterior dos Maine Coons é sedoso, enquanto os Wegies têm manto mais grosso. Outra diferença é que o Norueguês tem em seu padrão o comprimento das patas traseiras maiores que a dianteira.


Maine Coons possuem pelagem semi-longa, apresentando sub-pêlo mais aplumado que resulta em manto assentado, enquanto Noruegueses possuem sub-pêlo mais cheio e denso, apresentando pelagem longa, muito embora, ambas as raças não soltem pêlos que dimaçficilmente chegam a formar bolas e nós como um persa, por exemplo.


Gatos Noruegueses da Floresta são grandes e pesados, porém compactos no comprimento, não mais compridos do que os gatos Maine Coons, que ao serem esticados, são naturalmente mais largos. Ambas possuem tamanho incomum, pois são proporcionalmente grandes ao visual, se comparados ao tamanho comum de felinos em geral, estando ambos classificados na categoria de felinos de grande porte, assim como o Ragdoll e o gato Siberiano.


Origens de ambas raças


Nenhuma das duas raças felinas, tanto Maine Coon quanto os Noruegueses, teve sua genética e origem cientificamente comprovada. Muitas lendas e relatos históricos com registro de datas longínqüas nos dão apenas indícios de onde provavelmente gatos tão resistentes ao frio, aparência selvagem e tamanho diferenciado podem ter surgido, nos dando localizações geográficas de seu nicho de desenvolvimento.


Ao nos aprofundarmos nos relatos históricos destas duas raças, constataremos fatos semelhantes entre elas, e em alguns momentos, até uma proximidade que cogita a possibilidade de que o Maine Coon seria um "primo mais novo" do gato Norueguês da Floresta, tendo como referência os vestígios que podem explicar o desenvolvimento de gatos com pêlos longos no século XIX no continente europeu e que passaram a adentrar o continente Norte-Americano através das grandes expedições marítimas. Esta estreita relação entre ambas as raças se reforça quando passamos a deixar as lendas, os misticismos e as improbabilidades genéticas que circulam a literatura destes dois felinos de lado para dar razão às circunstâncias mais prováveis que possam de fato ter dado origem ao gato Maine Coon e ao gato Norueguês da Floresta.


Ancestrais do gato norueguês embarcaram com os vikings em aventuras mar a fora

Uma destas circunstâncias, segundo relatos históricos na Idade Média, seria o fato de que os gatos de pêlos longos que eram encontrados na região da Noruega, ancestrais dos gatos que conhecemos hoje como Norueguês da Floresta, frequentaram as grandes embarcações dos Vikings e atravessaram o continente europeu, protegendo alimentos e grãos contra roedores à bordo, cruzando-se naturalmente com felinos em diversas regiões da Noruega.


Estes mesmos gatos que possivelmente chegaram às américas, em sua maioria através das embarcações Vikings, deram início a um processo natural de acasalamentos com outros gatos de pêlo curto nativos desta região. No âmbito da criação organizada, esta é genéticamente a tese mais consistente que explicaria o desenvolvimento natural do gene do gato que conhecemos hoje como gatos gigantes da raça Maine Coon, ou seja, o cruzamento natural de gatos de pêlos longos que vieram da europa, aprimorados nas casas e fazendas da Nova Inglaterra, com outros gatos americanos de pêlos curtos, e isto envolve provavelmente o angorá, outra raça comum da época, antes mesmo da chegada dos Persas ao continente.


Desta forma, é possível afirmar que o Maine Coon pode ter alguma relação, ainda que distante, com o gato Norueguês da Floresta, que parece existir a mais tempo por ser relativamente novo o cultivo de gatos americanos de pêlos longos com relação àqueles que já atravessavam continentes nas embarcações, vindos da europa em meados de 1800.


 

"Tobey", Maine Coon citado no livro "Book Of The Cat" de 1903

 

Relatos do livro da escritora mais antiga do Maine Mrs. F. R. Pierce. reforça isto. A Sra. Pierce, escreveu o capítulo intitulado "Maine Cats" para o livro chamado "The Book of the Cat". Este livro clássico sobre gatos, publicado na Inglaterra em 1903, foi escrito primeiramente pelo autor France Simpson, em Inglês. "A fonte desta raça distinta era claramente os gatos das embarcações marítimas de navegadores e suas famílias, onde eles naturalmente se reproduziram e se multiplicaram nas cidades da Costa", relata a Sra. Pierce em depoimentos que nos fazem visualizar as cenas pela riqueza de detalhes que descreve o desenvolvimento dos gatos do Maine em sua época. Ela própria cultivou gatinhos que tiveram proles nestas embarcações e relata a predominância da cor Brown Tabby em gatos do Maine. Presenciou o surgimento de novas cores em suas observações, dentre elas a cor branca, filhotes que ela mesmo veio adquirir e cultivar ao longo de sua vida. A Sra. Pierce é cuidadosa ao explicar que "o Maine naquela época foi um dos maiores Estados em navios de embarcações de colonos que residiam nas cidades com portos marítimos e eram senhores de seus palácios marítimos flutuantes, levando com eles suas famílias para países extrangeiros", relata ela. Em outro trecho, descreve: "[...] pets de cada variedade foram comprados em portos extrangeiros para divertir as crianças nas embarcações; e como me lembro, as crianças faziam estoque destes animais, transformando barcos em verdadeiros transportes de cargas vivas".


Gatos pêlos longos passaram a ser criados em casas e fazendas da Nova Inglaterra

Esta teoria, considerada a mais plausível para o desenvolvimento do gato Norueguês e o surgimento do gato Maine Coon, também reforça a tese de que o Maine Coon não seria uma raça de gato legitimamente americana, já que gatos de pêlos longos que passaram a ser cultivados para trabalho nas casas e fazendas americanas chegaram em sua maioria através das embarcações que cruzaram a europa, passando a ser mais populares pela resistência que apresentavam a todos os tipos de temperatura, inclusive aos rigorosos invernos.


Polêmicas entre correntes de discussão à parte, o fato é que gatos avantajados de pêlos longos também já eram encontrados aos montes na região do Maine, estado americano ao leste dos Estados Unidos, se reproduzindo e desenvolvendo livremente, assim como ao norte do canadá e em outras regiões do continente norte-americano. Mesmo tendo nascido do fruto de acasalamentos de gatos ingleses vieram nas embarcações junto com os primeiros colonos, que também trouxeram gatos russos e escandinavos, o clima rigoroso da américa, especialmente da região do Maine (EUA), certamente ajudou a moldar este grande e robusto gato que passou a ser repercutido como sendo o gato de estatura ideal, pela performance e inteligência eficiente contra os roedores. Deste orgulho popular regional, nascia uma nova raça de nome "Maine Coon", porque a primeira associação felina do Maine, criada para ajudar moldar o gato que parecia ter o formato ideal de trabalho nas fazendas e nas residências das famílias americanas, elegeu para o mundo seu gato nativo popular que deveria carregar o nome de sua localização, até então, bastante conhecido como "gato do Maine (Maine Cats)" por seus habitantes locais.


A raça Maine Coon foi reconhecida no final do século XIX, ínicio do século XX como uma nova raça felina, mas desde meados de 1800 já era bastante popular, pois criadores como a Sra. Pierce por exemplo, já os levavam seus gatos em mostras pelo país para exibir seu carisma e beleza. Criadores de gatos de raça passaram então a criar o Maine Coon com o objetivo de conservar seus atributos físicos inerentes, dando à "marca registrada de sua aparência", conhecida até hoje por todos. Em 1861, a raça apareceu na primeira exposição norte-americana, realizada na Nova Inglaterra e teve grande furor em 1895, na Madison Square Garden de Nova York.


Padronização do gato Norueguês durou 100 anos até seu reconhecimento como uma nova raça felina

Quanto ao Norueguês da Floresta, há poucos relatos que comprovem que de fato seus ancestrais são mais velhos ou que de alguma forma, contribuiram para o surgimento das características do gato Maine Coon. Mesmo parecendo existir antes, desde o início das expedições marítimas, seu reconhecimento como uma raça diferenciada e aparição nas exposições felinas ocorreu depois do Maine Coon. O gato Norueguês da Floresta também passou a ter suas características padronizadas por criadores em programas de reprodução desde 1830, mas só foi conhecido como uma raça felina diferenciada 100 anos depois deste trabalho, em 1930 na Noruega. Até metade do século XX, ninguém conhecida esta raça fora da Noruega, sendo difundida para outros países somente em 1938, quando surgiu pela primeira vez em uma exposição felina.


Mas o sucesso de gatos rústicos e com o ar selvagem durava até aí. O Maine Coon conheceu seu declínio pouco antes deste período e ninguém mais se interessava em difundir o gato norueguês da floresta, além da europa, tudo isto devido ao glamour que trouxe a moda da criação de gatos Persas e Siameses que durou meio século. O gato Norueguês da Floresta quase sumiu pela falta de criadores e interesse na difusão da raça.


Mas em 1950, as coisas começam a mudar e percebendo o grande risco de se perderem características desejáveis de origem da raça pela falta exemplares que proporcionassem maior diversidade genética à existência do gato Maine Coon, é que criadores americanos se juntaram para formar a MCBFA, uma associação com objetivos expressos de resgatar a memória e orgulho da raça, re-introduzindo seu gigante felino nativo de volta aos show halls das exposições de gatos. Seu padrão foi revisto e re-editado dez anos depois desta iniciativa, em 1960 com novos critérios de criação com foco em desenvolvimento e preservação, sendo o principal deles a abominação de práticas de consanguinidade (acasalamentos consanguíneos), o que enfraquecia a resistência da raça e difusão de sua diversidade genética, essenciais para sua sobrevivência, fortalecimento e expansão.


Até hoje, Maine Cats são vistos em reservas naturais do Maine, EUA

Parece que este exemplo com a raça Maine Coon serviu de motivação para o resgate dos trabalhos com gatos Noruegueses na europa, que também teve o interesse de um grupo de criadores regionais em 1970, quando programas mais sérios de reprodução para esta raça realmente começaram. A FIFe reconheceu o gato Norueguês da Floresta em 1977 e o Maine Coon em 1976. Para o Norueguês também foi redigido um padrão oficial, que posteriormente foi modificado para evitar qualquer similar confusão com o gato Maine Coon, ao qual assemelha-se nas cores, tamanho e ar selvagem inerentes a estas duas raças. Em 1979, foram enviados os primeiros exemplares para a Alemanha e Estados Unidos com foco no desenvolvimento da raça. Em 1980, já eram exportados os primeiros exemplares de gatos Noruegueses para a Inglaterra e, em 1982, para a França.


Mesmo sendo bastante populares nos continentes europeu e norte-americano, os gatos Maine Coon e Norueguês da Floresta possuem suas reservas de Fundação que deram origem a sua base de expansão. O estado americano do Maine é considerado até hoje como sendo uma região nativa do gato Maine Coon, com estoques naturais do gene se reproduzindo livremente nas florestas da região, assim como o gato Norueguês da Floresta ainda pode ser encontrado em estado selvagem nas florestas da Suécia, Dinamarca e bosques da Noruega.


 

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